15 de junho de 2010

Secos e Molhados



Só passei a gostar dos Secos e Molhados na minha adolescência. Antes achava o grupo estranho, com suas roupas esquisitas, um rebolado diferente. A minha implicância era visual e não musical. Naquela época meu discernimento era binário: bom ou mau, gostei ou não gostei, belo e feio. A sexualidade dos cantores nem era tema de conversa ou comentários. Na cabeça de um provinciano de Santa Rosa de Viterbo, não havia pecado no equador.

Ainda bem que aprendi a gostar deles. Aprendi com minha mãe, que virou uma fã incondicional do Ney Matogrosso. Aquele homem esguio exalava sensualidade em cada um dos poros. Era uma cobra esguia que cantava e dançava. O som saia limpo da antiga vitrola e a voz firme invadia a casa.

Espero ensinar para o meu David ouvir a maior diversidade de música possível. Sei que Secos e Molhados fará parte deste repertório.

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