25 de fevereiro de 2010

Um defunto na corda



Quem trabalhou no Estado do Paraná, sempre teve que fazer os plantões de fim de semana para a Tribuna do Paraná. Pelo menos, foi assim na década de 90. Tinha acabado de ser contratado e peguei um plantão na segunda semana.

Pus o pé na redação e o Charles, diretor da Tribuna, me mandou para fazer uma matéria na CIC. Para não variar, a Tribuna chegou ao local antes do IML. Desembarco do carro e vejo uma família toda reunida na beira do rio. Na mão da mulher, uma corda prendia a perna do defunto, que boiava no meio do córrego.

Chego, começo a conversar para saber o que tinha acontecido. Nem bem termina de responder a primeira pergunta, a mulher larga a corda na minha mão e me abandona. O rabecão tinha chego e a família correu para pedir o recolhimento do corpo. Enquanto isto, fiquei com o defunto literalmente na mão.

Foram dois minutos, segurando o corpo de um bêbado que morreu afogado ao cair da ponte.Fiquei pensando quem era o homem morto.

Só larguei o corpo, quando um policial novato chegou perto. Rapidamente entreguei a corda e fui terminar a entrevista. Escrevi a matéria imaginando a vida do morto. O Charles gostou, afinal os repórteres policiais não tinham hábito de traçar um perfil dos mortos.

2 comentários:

Chycoo disse...

Presunto com barbante é salame meu amigo!
Grande abraço.

Daiana disse...

Adorei a história! Se fosse comigo, eu teria um faniquito... rs

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