16 de janeiro de 2010

Ao mister Parkinson


Ali ficou seu passo.Balanceou e resmungou: Mister Parkinson está incomodando de novo!

Foi uma maratona entre a sala e o banheiro. Respirou. Era o fôlego do atleta exaurindo, esticando a mão em busca de uma parede que o apoiasse. Depois riu, chegando enfim ao destino. Vitorioso, dentro do banheiro, pode se ouvir a eterna fala: Ah, mister Parkinson... preciso de paciência e bom humor.

Paciência teve, mas bom humor...nem sempre a vida lhe deu. Ainda mais agora, que enfrentava desafios maiores que suas aventuras na juventude. Um dia fugiu da casa dos pais, com uma pequena mochila, cruzou mares, escapou dos bloqueios ingleses e, aos 17 anos, lutou por Eretz Israel. Foram cinco anos, em que um jovem virou homem. No caminho de volta a mochila estava pesada. Era tanto peso nas mãos e no coração, marcados pela avermelhada recordação que guerra deixa em seus sobreviventes. Jamais voltou a rezar com fé na sinagoga.

Ainda assim,fez famílias, fez filhos e teve netos. Todo mudo reconstroi, mesmo sobre escombros.

De repente Mister Parkinson apareceu e se tornou um árabe interno. A doença ora era um amigo, que acompanhava em tardes solitárias; ora um inimigo, que tentava traiçoeiramente derrubá-lo ao primeiro passo. Outra vez enfrentava um adversário. Como no deserto israelense, ficava parado, sentindo o medo de ser vencido, mas, no fundo, prevalecia a esperança que um dia tudo se acalmara.

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