8 de novembro de 2010

Ídiche mame


Como se molda uma ídiche mame? Ouvir alguns minutos de choro contínuo e doído? Ver os olhos franzidos sem saber o que é? Enxergar o pequeno nos braços se aninhar? Talvez. tudo isto ajude a moldá-la.

Mas acredito que esta alma superprotetora, capaz de se matar por um filho, seja interna e tão atávica quanto natural. Acho que as supermães nascem supermães. Percebo que é instintivo. Porque há mães que não nascem mães. Jogam seus filhos pelos muros ou rios. Ou então os deixam abandonados sem carinho e apoio.

A minha Laura é uma superídiche mame. O resultado do esforço desta minha heroína é que a cada dia o David está mais esperto, belo e saudável. Admiro esta força e dedicação com nosso filho.

14 de outubro de 2010

Eternos bocejos


Bocejo. A cada hora, bocejo. O cansaço pesa no fim do dia ou depois do almoço. É culpa do relógio. É culpa do cuco, que desperta as noites, às vezes de três em três horas. Já passou quase seis meses. O meu cuco não para, não dá trégua.

Toda noite, ele se agita e geme. Só se acalma com o mamar. Depois dorme nos meus braços.

Ver o sono profundo dele me acalma, me relaxa, até durmo junto. Nem Morfeu me cutucando durante várias horas do dia muda meu humor. Porque cada gracejo do meu cuco compensa os meus cansados bocejos.

18 de junho de 2010

O louco e Saramago



Conheci José Saramago por acaso. Foi um período em que minhas tardes eram preenchidas com longas horas de leitura na Biblioteca Pública. Sentava sempre na mesma cadeira, que ficava no canto do salão central. Assim via tudo, sem ser visto. Aquela era minha mesa. Aquele era o meu mundo, que me mantinha contente diante de uma realidade conturbada.

Um determinado dia, um esquizofrênico passou a dividir o espaço. Sentava na ponta da mesa, sempre vestido com um blazer ou um terno com colete. Falava sozinho. Lia em voz alta textos originais de diversos autores, como Baudelaire, Dickens, Edgard Allan Poe, Arthur Conan Boyle, Esópo, Itálo Calvino, Vargas Llosa, Eugene Ionesco além de alguns escritores malditos, Kerouac. O louco era fluente em tudo, poliglota.

Cada livro deixado na mesa era devorado por mim. O louco foi o meu guia para diversos autores desconhecidos. Um deles foi José Saramago. O primeiro livro que peguei foi In Nomine Dei. Jamais esqueço deste xeque-mate contra as religiões. Durante três meses,
José Saramago me acompanhou, até a minha aprovação no vestibular de Jornalismo.

Saramago fez parte de minha história. Gostava de seus textos, mas não de suas opiniões. Fará falta, como ainda me faz o louco da biblioteca.

Poema à boca fechada

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.


(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

16 de junho de 2010

Vanucci e a Copa dos Leões

É impossível não lembrar desta Copa, sem lembrar do Fernando Vanucchi e seu vaticínio após a Copa de 2006. No estilo "Vale a pena ver de novo", confira o vídeo de Vanucchi

Propagandas argentinas II

Sei que em época de Copa as pessoas ficam mais resistentes quando se elogiam os gringos argentinos. Mas continuo gostando das propagandas argentinas. Vale a pena ver esta daqui.

Mergulho abissal

Meu primeiro mergulho foi quase um afogamento. Estava na beira da piscina do Centro Israelita e cai na parte funda. Tinha menos de dez anos. Fui afundando, afundando e vendo a luz brilhar no espelho da água. Era bonito e aterrorizante. Não sei nem quem me salvou. Só sei que naquele verão aprendi a boiar. O suficiente para evitar novo afogamento.

Desde então, sempre que entro na água vou até o fundo da piscina e fico olhando o espelho de água. Este vídeo com Guillaume Nery, campeão de mergulho, me deu a mesma angústia que tive quando quase me afoguei. Ele filmou um salto livre no Dean’s Blue Hole, que é o "buraco azul" marítimo mais profundo do mundo, na baía de Clarence Town em Long Island, Bahamas.

Guillaume Nery, Fiction Dean's Blue Hole. from Hacomar Diepa Perdomo on Vimeo.

15 de junho de 2010

Os espinhos da Rosa


O espinho feriu a Rosa, que anda triste e preocupada. Ela anda desanimada, como se as portas estivessem fechadas. Não há saídas e os caminhos se tornaram estreitos. Que pena, acontecer isto justo com a Rosa, que é tão bela e alegre. Quando pode sai para trabalhar, conversa, tagarela e se exibe. Sim, ela se exibe muito. Afinal, ela é a Rosa, a mais bela das flores, toda altiva e imponente.

A Rosa quer sair, quer trabalhar e buscar seu futuro. Mas o mundo está meio azedo e não quer ajudar a Rosa. Por mais que trabalhe, a recompensa não chega. É duro ver a Rosa, com tantos anos de vida (quase 70 anos), batalhar dia a dia. A Rosa merece descanso, mas não consegue. Cuida do velho cravo, quase que sozinha.

Sou um dos jardineiros da Rosa. Admiro a flor, mas tenho dificuldade em ajudar. Queria poder dar mais a Rosa. Mas por enquanto apenas admiro a bela Rosa.

Secos e Molhados



Só passei a gostar dos Secos e Molhados na minha adolescência. Antes achava o grupo estranho, com suas roupas esquisitas, um rebolado diferente. A minha implicância era visual e não musical. Naquela época meu discernimento era binário: bom ou mau, gostei ou não gostei, belo e feio. A sexualidade dos cantores nem era tema de conversa ou comentários. Na cabeça de um provinciano de Santa Rosa de Viterbo, não havia pecado no equador.

Ainda bem que aprendi a gostar deles. Aprendi com minha mãe, que virou uma fã incondicional do Ney Matogrosso. Aquele homem esguio exalava sensualidade em cada um dos poros. Era uma cobra esguia que cantava e dançava. O som saia limpo da antiga vitrola e a voz firme invadia a casa.

Espero ensinar para o meu David ouvir a maior diversidade de música possível. Sei que Secos e Molhados fará parte deste repertório.

31 de março de 2010

Meu bebê Ramones


Meu bebê vai se vestir de Ramones. O body com a marca da banda de punk-rock está guardado em casa, junto com as outras roupas de bichinhos, aquelas tradicionais de criança. A roupa foi dada por Lu Manson, minha ex-aluna Luciana Beatriz, uma roqueira com coração maravilhoso, fã deste músico tão controverso. Já imagino meu bebê usando o body. Vai ser inevitável tirar fotos colocando os dedos do bebê em riste, como fazem os roqueiros.

Recebi o presente no último dia de aula. Foi a despedida de um período muito feliz na minha vida. Ganhei o body do Ramones de uma aluna que está na lista daqueles que vou sentir falta das Faculdades Opet. Luciana Beatriz é uma roqueira, tatuada nas costas e braços, cabelos vermelhos. Mesmo com este visual, o presente veio numa elegante sacola de papel, toda estampada de tigresa, que parecia ser comprada numa loja chique.

Meu bebê desde já, agradece o presente. E grita um baita yeeeaaahhh! pelo belo body Ramones.

29 de março de 2010

O nababo vai casar


O nababo vai casar. É em abril, no meio do feriado da Páscoa. Infelizmente, não vou poder ir. A viagem é longa e cara. Vai ser lá em Brasília. Agora, as economias são para o meu bebê, que chega em setembro. Por isto, não vou à festa do nababo.

Acho que vou perder um belo casamento, cheio de romantismo. Aposto que todos vão ficar emocionados. O casal é puro romance. Para impressionar, nababo levou a noiva à Paris e, na cidade luz, pediu em casamento. Queria marcar o pedido e parece que conseguiu. Um eterno romântico.

Nababo nem sempre foi nababo. Ralou muito antes de poder viver bem. Conheci nababo quando vestia camiseta puída, ou melhor, furada mesmo. Mesmo nas dificuldades, ele sempre foi alegre. Competente, alcançou o que queria.

Agora nababo vai casar. Desejo todas as felicidades para ele e sua mulher. Meu amigo, muitas alegrias, amor e companherismo. Um brinde para o nababo!

26 de março de 2010

Damo ou dama

Mister Parkinson está ansioso! Já ligou três vezes. Deve ligar ainda mais. A curiosidade é porque a notícia traz também esperança e muita energia. Ele espera. Quer saber do sexo. Quer saber como será seu neto ou neta.

Por isto, toda vez que liga, Mister Parkinson pergunta: "é damo ou dama?". Pacientemente, respondo que novidade vem na próxima ecografia, daqui duas semanas.

"Ok, amanhã ligo para saber", desliga Mister Parkinson.

17 de março de 2010

Dizer adeus


Já antecipei o meu tchau para os meus alunos. Deixo as Faculdade Opet, no fim deste mês. Estou indo embora para outro desafio. Mas vou com certo pesar.

Comecei a dar aula na Opet, por um acaso. Foi uma porta que abriu e a qual deixo escancarada para investidas futuras. Saio, com saudades. Tive bons alunos e outros bons amigos, que provavelmente não esquecerei mais. Na minha casa, guardo com orgulho a foto da turma que me homenageou e a todos eles desejo muito sorte na vida profissional e muitas alegrias na vida.

Tive a felicidade de pegar boas turmas. Pessoas interessantes, que me ajudaram a entender melhor a vida. Entrei na Faculdades para ensinar, mas aprendi muito. Vou sentir falta do ambiente acadêmico. Mas acho que voltarei um dia.

27 de fevereiro de 2010

Sardinha

Para quem se espreme nos coletivos, vale ver este vídeo em São Paulo


(Via Pristina)

Internet

Ainda me espanta ver que muita gente tem uma certa resistência quanto a internet. Dentro da atual estrutura da sociedade, a internet e todos seus milhares de sites fazem parte da nossa rotina. O que me incomoda é ver locais de trabalho com medo de permitir acesso a determinados endereços.

Para quem ainda tem dificuldade em aceitar a internet, dá uma olhada

JESS3 / The State of The Internet from Jesse Thomas on Vimeo.

Just do it

Human Chain from NikeSportswear on Vimeo.


Em matéria de propaganda esportiva a Nike sempre impressiona.
(Via Ovelha Elétrica)

25 de fevereiro de 2010

Um defunto na corda



Quem trabalhou no Estado do Paraná, sempre teve que fazer os plantões de fim de semana para a Tribuna do Paraná. Pelo menos, foi assim na década de 90. Tinha acabado de ser contratado e peguei um plantão na segunda semana.

Pus o pé na redação e o Charles, diretor da Tribuna, me mandou para fazer uma matéria na CIC. Para não variar, a Tribuna chegou ao local antes do IML. Desembarco do carro e vejo uma família toda reunida na beira do rio. Na mão da mulher, uma corda prendia a perna do defunto, que boiava no meio do córrego.

Chego, começo a conversar para saber o que tinha acontecido. Nem bem termina de responder a primeira pergunta, a mulher larga a corda na minha mão e me abandona. O rabecão tinha chego e a família correu para pedir o recolhimento do corpo. Enquanto isto, fiquei com o defunto literalmente na mão.

Foram dois minutos, segurando o corpo de um bêbado que morreu afogado ao cair da ponte.Fiquei pensando quem era o homem morto.

Só larguei o corpo, quando um policial novato chegou perto. Rapidamente entreguei a corda e fui terminar a entrevista. Escrevi a matéria imaginando a vida do morto. O Charles gostou, afinal os repórteres policiais não tinham hábito de traçar um perfil dos mortos.

20 de fevereiro de 2010

Propagandas argentinas


Gosto das propagandas argentinas. Em geral, bem humoradas, até parecem que um bando de adolescentes estava na agência escrevendo o texto. Quem ficar curioso, procure no Youtube ou no www.funnyplace.org

15 de fevereiro de 2010

Futuro da mídia

O OFCOM, entidade de regulação dos media do Reino Unido publicou o livro Communications - The next decade, um conjunto de ensaios da autoria de especialistas em regulação, políticas, tecnologias e sociologia dos media e das comunicações. Está integralmente disponível online. O indíce é o seguinte:

Foreword, Biographies, Introduction and Overview [pdf] 658Kb
SECTION 1 - TRENDS AND CHALLENGES [pdf] 1.6Mb
SECTION 2 - THE CHANGING NATURE OF REGULATION IN THE PUBLIC INTEREST [pdf] 1.5Mb
SECTION 3 - ECONOMIC REGULATION BEYOND 2010 [pdf] 1Mb
SECTION 4 - UTILISING THE AIRWAVES [pdf] 1.4Mb
SECTION 5 - GLOBAL AREAS OF FOCUS [pdf] 2.5Mb
Communications - The next decade [pdf] Full Print Version - 8Mb

14 de fevereiro de 2010

Encontro


Temos um encontro marcado. Será depois do carnaval. Literalmente será um encontro às escuras. Meus olhos vão enxergar manchas pretas e brancas, as quais não vou identificar nada. Mas são meus ouvidos que estão em alerta. Seu coração estará a 150 batimentos por minuto e, provavelmente, estaremos em sincronia, dada a minha ansiedade. Cada batida sua vai me encher de alegria. Ao menos vou ouvir que você está bem.

Sua aparência deixo para meus sonhos. Tem vezes que até consigo ver a Dora nos meus braços. Outra ora é o David, que acompanho ao berço. Às vezes, você é a Sofia, que está no colo da Laura. Na outra, Isadora e a Laura passeiam no parque.

Este é o primeiro encontro. Acho que será inesquecível!

13 de fevereiro de 2010

Jornalismo Cidadão

O texto e a informação abaixo é da Adriana Salles Gomes do UpDate or Die. A proposta é inovadora e interessante. O jeito é acompanhar para ver se há ganhos financeiros que sustentem este negócio.

Jornalismo cidadão | AllVoices.com

O site é este.

Faz jornalismo cidadão, que é definido assim pela Wikipedia.

É uma tentativa de modelo de negócio novo na mídia, complementar aos veículos tradicionais, com um programa de incentivos que paga aos colaboradores conforme a atratividade de seu conteúdo, medida por pageviews (sim, controverso por razões que não cabem nos dedos de uma mão, mas é uma tentativa).

Relaciona-se com os usuários por e-mails e dá atenção acima da média a sugestões, apontamento de erros, pedidos de matérias e ideias em geral da comunidade.

Tem geotagging, amplificando as notícias de interesse local, o que parece especialmente inteligente.

O programa “Media Shift”, da TV americana PBS, fez uma matéria sobre ele; confiram:

Vocês podem conferir ainda um Q&A com a fundadora do site, a paquistanesa Amra Tareen. Foi fundado em abril de 2007, mas, salvo engano, ainda não é muito conhecido no Brasil. Ah! Aceita colaboradores de qualquer lugar do mundo.

História do mundo

Muito bem humorado este vídeo que conta a história do mundo. O bacana é que feito todo em desenho. Vale a pena ver!

12 de fevereiro de 2010

Desinformação

Diálogos entre jornalistas e assessores de imprensa (pena que esqueço alguns, deveria anotar as pérolas)

- Olá, preciso de uma informação sobre uma obra.
- Qual?
- Em Adrianópolis, tem uma rua abandonada...
- ...desculpa, mas Adrianópolis é uma cidade, longe de Curitiba
- Mas você não é assessor da Secretaria de Obras?
- Sou de Curitiba. Melhor tentar no governo de Estado.


- Alô! Preciso de uma informação de uma obra em Colombo.
- Ligue para prefeitura de lá.
- Mas Colombo não é um bairro de Curitiba?
- Melhor procurar na lista telefônica.

- O bairro do Boqueirão está sem luz, o que vocês vão fazer?
- Olha, fornecimento de luz é trabalho da Copel. Iluminação pública é com a prefeitura.
- Ah tá! vou ligar para lá.

Confiança

Com meus atos, quebrei o que me é mais valioso. Meu olhar já não traz confiança. Meu calor não desperta mais sua pele. Minha palavra fere seus ouvidos.

Fico sem chão. Sempre quis te proteger. Acordo noites para ver teu sono. Presto atenção nos teus desejos para atender rápido. Cozinho, te alimento. Mas tudo isto perdeu seu valor, pois não há confiaça.

Algo quebrou entre nós e como será daqui para frente?

Se fiz o errado, foi sem querer. Sou maluco, descuidado, desastrado e esquecido. Sou o que você sempre gostou. Você me pediu para mudar e cada dia me esforço. Mas que vou fazer se alguns erros e costumes brotam em minha pele.

Quero tua aprovação de volta. Mas como tê-la? Se ao menos, você esticasse a mão ou me apontasse o caminho.

Preciso de uma cola, desta que não descola, para quem sabe colar cada caco quebrado e reconstruir tudo dos escombros.

Corro


Corro. É apenas uma reta que me faz correr.

Corro como se ao longe estivesse a esperança que um dia perdi.

Corro sem destino, pois acredito que o meu caminho ainda vá surgir.

Corro, porque a adrenalina me faz sentir o coração que imaginava perdido.

Corro de ti, porque me assombra a vergonha das promessas que não cumpri.

Corro como corre o lobo, que abate a caça , saciando a fome mais primitiva.

Corro de mim. Tento ser mais rápido da parte mais má escondida em mim.

Corro com esperança renovadas, que o sonho mais longe ainda vou alcançar.

Corro para me manter vivo, pois nesta corrida, na próxima curva, algo vai se transformar.

5 de fevereiro de 2010

Serei pai

Quando buscamos o exame de gravidez, foi apenas para comprovar o que sabíamos. O positivo do laboratório veio depois de uma série de anúncios indiretos: crianças que abraçavam espontaneamente a Laura, uma amiga bruxa que sugeriu a realização do exame de gravidez e, por fim, enjoos, sono, fraquezas e um aumento da fome.

A vinda de um novo Reinstein era um sonho esperado há muito tempo. Sempre tive desejo de ser pai. Talvez pelos exemplos de pais que tive. Eles fizeram o máximo para me dar carinho, amor, educação e respeito. Nem sempre acertaram, mas sempre se esforçaram. Por isto, fica a dúvida: serei melhor que meu pai?

Das lembranças do meu pai, as mais fortes são da infância. Morávamos em uma casa de dois andares, um chalé estilo alemão. A sala de televisão ficava em baixo e os quartos no segundo andar. Quase todas as noites era carregado para a cama, pois ficava dormindo em frente à TV. Sonolento abraçava o pescoço dele que cuidadosamente me leva para dormir.

Fui o filho-homem mais velho. Talvez por isto convivi (e ainda convivo) mais com o meu pai que meus irmãos. Era juntos que arrumávamos as coisas da casa, como consertar torneiras, trocar chuveiros, arrumar jardim e outras tarefas, que naquela época eram exclusivamente masculinas.

Dele, herdei o hábito da leitura. Para cada dúvida que tive na vida, ele me trazia um livro. Li de tudo, inclusive textos que não entendia bem. Meio sem parâmetro, meu pai me deu livros dos filósofos socráticos para ler aos 13 anos. Absorvi o que pude.

O fato é que meu pai me ajudou ser o que sou. Por isto, fico pensando se serei capaz de dar o melhor ao meu filho?

Sonho com meu pequeno bebê. Em cada pensamento, imagino como ele será fisicamente. Terá os cabelos pretos como os meus ou os castanhos da mãe? Será meigo como minha Laura ou será desastrado como o pai? A única certeza é que quero tê-lo em meus braços, ninar por noites e proteger de tudo que for ruim.

Para mim, não importa se for menino ou menina. Quero apenas saúde. Acho que este é meu maior pedido para D`us. De resto, me esforçarei para dar a melhor criação possível. Sem contar que terei mais sorte que meus pais, que criaram sozinhos quatro filhos.

A cada aperto vou poder contar com o apoio dos meus parentes. Também gostaria que neste convívio meu bebê herdasse alguns talentos familiares. Adoraria que tivesse o talento artístico e a paixão do meu irmão Oscar, a sensibilidade e o coração bom da minha irmã Yael, o espírito aventureiro da minha irmã Sonia, a coragem da minha mãe e sabedoria de meu pai. Também queria que tivesse a perseverança e a força de vontade da nonna da Laura.

Espero que os dias passem rápido. Espero que os próximos sete meses e meio voem como viajam meus pensamentos - ligeiros tentando descobrir como será o pequenino que virá.

Venha rápido!

1 de fevereiro de 2010

Para minha Chavale

Mazal Tov argentino

29 de janeiro de 2010

Futuro

O que aconteceu com meu passo? Ele está tão diferente De repente, tudo mudou. O que sabia não é mais o mesmo. O que temia não tem mais valor. Outros medos surgiram, outras certezas apareceram, outro futuro se descortinou.

Uma nova dimensão de vida surgiu. Sou o mesmo? Não cresci, mas vejo sob nova perspectiva. Não fiquei mais inteligente, mas alguns caminhos se tornaram lógicos. Meu sonho se torna realidade?

Ser um novo pode ser resultado da mudança de olhar. Diz o ditado popular que o mundo muda conforme o cristal que se olha. Mas não é um cristal que está em meus olhos. São novos sentimentos que rodopiaram minha a vida.

O dia de ontem me parece distante e o futuro mais grandioso. Larguei tudo, como um viajante sem eira e nem beira. Arranquei raízes e estou migrando, sem ter sentido dor da mudança. Porque não fiz isto antes? Sou outro e até me esqueci quem era.

Mas se perdi minhas memórias, será que não sou o mesmo, apenas fantasiado de outro?

A notícia

A carta chegou. Quem tem a coragem de abrir? Há tanta ansiedade e espera pela notícia! Tudo está misturado: medo, curiosidade, alegria e aflição. Ela virou e pediu: "abre". Ele pegou com se fosse uma cobra e ficou parado. "Por favor, abre logo", suplicou a mulher.

A notícia mudaria a vida. Pensou em tudo que fez e respirou. Em um gesto louco, amassou o envelope e jogou no vaso, puxando a descarga. Ela gritou, xingou e chorou. Ele se virou e foi embora: "Em breve,vamos saber a verdade. Só esperar mais um pouco", disse indo pela porta a fora, aliviado.

28 de janeiro de 2010

Comunicação e poder

Gostei deste vídeo. Ainda que a conclusão seja óbvia, é preciso ressaltar a importância da liberdade da imprensa e a necessidade profissionais cada vez mais preparados. Ele avalia a grande concentração de poder econômico na gerência da comunicação e o crescimento de mídias alternativas, como a internet. Também questiona esta tão famigerada liberdade da internet.

Veja e tire sua conclusão.

26 de janeiro de 2010

O belo



Sua paixão é toys arts, pequenos bonecos criados por artistas plásticos. Tem um antigo armário de farmacêutico cheio deles. É uma botica de delicadeza. Cada um tem modelo e cor diferentes. Todos arrumados lado a lado pelos seus grossos dedos, com unhas roídas. Delicados são mexidos geometricamente dentro do armário. Um caleidoscópio de beleza.

Tal como os bonecos, o dono é a sensibilidade em forma bruta. Esta é a melhor definição para o meu irmão - Oscar Reinstein.

Quem acessar o seu flick ficará impressionado com a beleza dos traços ou a delicadeza das logos e das artes. Sua criação grita, com letras sangrando ou saltando das palavras. Outras vezes seus traços murmuram. Nas suas galerias de criação, podem ser encontrados desenhos, com personagens criados por ele. Acho que todos poderiam se transformar em toys arts. Tal como o da foto desta matéria.

Recentemente fez o design do livro de Aramis Milarch. Foi responsável pela criação gráfica do projeto que resgata a memória do escritor. Este amante da Madonna agora está metido em um grande projeto. Será um desafio, no qual terá que domar sua ansiedade. Mas tudo indica que dará conta do recado.

Robôs


Quando era moleque sempre quis ter um robô de brinquedo. Sonhava com um robô como o da Família Robinson, da série Perdidos no Espaço. Queria um brinquedo que pudesse dar corda e se movesse com aquele meneio típico dos homens de lata. Jamais tive. Afinal era o filho do meio de uma família com quatro crianças. Quem nasceu em família grande de classe média sabe que os brinquedos e roupas passam do irmão maior para o menor. Assim, com exceção dos aniversários,onde se ganham presentes diferentes, todos os demais brinquedos são coletivos.

Acabo de ver na internet, no blog Update or Die!, um orfanato de robôs. Os brinquedos são criados pelo artista plástico Brian Marshall - Wilmington, DE. Ele cria os robôs com produtos que encontra pela rua.

Os robôs são vendidos no site Etsy, com custo que varia de 150 a 200 dólares. Quem quiser saber mais de um produto da linha Adopt-a-Bot, pode ver outros modelos neste link.

25 de janeiro de 2010

León Gieco

León Gieco. Este cantor argentino me traz uma alegria particular. Quem me apresentou foi uma pessoa muito querida, que visitava o Brasil, após anos em Buenos Aires. Um antiga fita cassete tocava sem parar em um walkman amarelo. A pessoa foi embora e deixou León Gieco de recordação.

As músicas cansaram e a fita cassete ficou guardada. Anos mais tarde, redescobri León Gieco, após um período conturbado. Tinham desmoronadas todas as minhas certezas. Quando esvaziava uma caixa, este argentino cantou na hora certa. "Cola de Amor" foi uma música repetida incessantemente. Ou melhor, um refrão erguia meu ânimo: "Para poder seguir tengo que empazar todo de nuevo". E recomecei tudo outra vez.

Hoje, em outra fase (muito melhor e feliz), encontro com ele, falando músicas de amor e de filhos. Ele tem um tom meio melancólico. Escolhi este clipe, que é um protesto contra a morte injusta de um jovem. Mas há outras músicas mais suaves e tão interessantes.

Muchas salud, León Gieco!


El Angel de la Bicicleta
Leon Gieco
Composição: Leon Gieco
Cambiamos ojos por cielo
Sus palabras tan dulces, tan claras
Cambiamos por truenos
Sacamos cuerpo, pusimos alas
Y ahora vemos una bicicleta alada que viaja
Por las esquinas del barrio, por calles
Por las paredes de baños y cárceles
¡bajen las armas
Que aquí solo hay pibes comiendo!
Cambiamos fe por lágrimas
Con qué libro se educó esta bestia
Con saña y sin alma
Dejamos ir a un ángel
Y nos queda esta mierda
Que nos mata sin importarle
De dónde venimos, qué hacemos, qué pensamos
Si somos obreros, curas o médicos
¡bajen las armas
Que aquí solo hay pibes comiendo!
Cambiamos buenas por malas
Y al ángel de la bicicleta lo hicimos de lata
Felicidad por llanto
Ni la vida ni la muerte se rinden
Con sus cunas y sus cruces
Voy a cubrir tu lucha más que con flores
Voy a cuidar de tu bondad más que con plegarias
¡bajen las armas
Que aquí solo hay pibes comiendo!
Cambiamos ojos por cielo
Sus palabras tan dulces, tan claras
Cambiamos por truenos
Sacamos cuerpo, pusimos alas
Y ahora vemos una bicicleta alada que viaja
Por las esquinas del barrio, por calles
Por las paredes de baños y cárceles
¡bajen las armas
Que aquí solo hay pibes comiendo!

Dona Helena


Minha primeira entrevista foi com Helena Kolody. Era 1992 ou 1993. Tinha recebido uma pauta cultural para o jornal laboratório. Gravador na mão, máquina fotográfica, três canetas e caderno, cheguei às 10h, carregando um vaso de violetas. Achei fácil o prédio ao lado da praça Rui Barbosa, por onde se via toda a movimentação de ônibus e passageiros.

Nem bem cheguei, entreguei a flor e ela sorriu, como professora que recebe um presente. Colocou a violeta na estante e me ofereceu dois licores: "Tem amaretto e hortelã!". Apenas sorri e sacudi a cabeça, recusando. Era muito cedo para beber. Mesmo assim, ela ameaçou servir uma taça, mas interrompeu o gesto. Foi para outro lado da sala e sentou afastada.

Não tinha me preparado para entrevista, sabia o básico, por isto foi uma saraivada de superficialidade. A obviedade cansou. Ela levantou-se e ofereceu novamente licores. Era muito esforço para quem tinha mais de 80 anos. Recusar duas vezes seria deselegante, mesmo sendo tão cedo. Peguei a taça, senti o cheiro do amaretto dell orso e molhei os lábios, quase sem beber. Um silêncio acompanhou a bebida.

Ela se ergueu e foi até perto da janela. Um olhar triste apontou para a praça. "Esta praça já foi bonita. Agora é uma selva de concreto. Do verde, só me resta sua flor para lembrar minha infância", disse chegando perto.

Como se eu não estivesse lá, falou e falou. Contou de um antigo amor. Queixou-se da recente morte do irmão. Disse da sensação de abandono que sentia. Do medo da morte. Falou até de uma aluna que leu um de seus poemas e depois desistiu de se suicidar. " Por isto, acho que escrever é uma responsabilidade! Não escrevo sobre coisa ruim. Pode prejudicar alguém. Na verdade ,estou cansada de escrever!", disse voltando os olhos para a realidade.

Ficou me fitando e aproveitei para tirar algumas fotos. Ela pediu licença e foi até uma estante, onde pegou um livro. Autografou. Sorriu e, antes de encerrar a entrevista, pediu: "Acho que a última parte ficou ruim. O melhor seria que não tivesse sido gravada", disse, sorrindo triste.

Tirei nota 7,5 na entrevista. Apaguei a melhor parte, cheia de confissões e lembranças. Decidi que o melhor era ser cúmplice daquela confissão. Aquele sorriso e a dose certa de amaretto amoleceram meu coração. Até hoje, guardo a foto que tirei daquele encontro.

24 de janeiro de 2010

Perdidos

O que fazer? Não sabia sequer lhe dar o banho. O calor da água que um dia aconchegou a intimidade, agora escorria o embaraço. Estão perdidos? Pelo jeito, a vida seguiu pelo ralo e ficaram dois corpos. E a água escorre morna...

20 de janeiro de 2010

Bashert


Até hoje o beijo é tão especial, como foi o primeiro toque de lábios. Parece exagero ter tais sentimentos perto de oito anos de convívio. Mas beijar, tocar, cheirar, sentir seu corpo e seu calor são momentos tão únicos, tão nossos.

A música acima de Ari Gold tem um termo que traduz bem esta realidade. Bashert é uma palavra em íidiche que poderia ser traduzida como alma gêmea. Reza a tradição judaica que todo homem e mulher tem uma alma que complementariam outra, que foram subdividida, quando Moisés recebeu as tábuas da lei.

Não sei quanto tempo estamos esperando para se encontrar. Mas tenho certeza que os beijos ainda são quentes e a vida é tão luminosa como o primeiro dia. Basherte, ani ohev otach. - אני אוהב אותך

A bailarina



O que aconteceu com a bailarina? Será que enlouqueceu? Ninguém vê mais os seus demi-plié, arabesque e sissone. Onde foram parar suas piruetas. O palco esvaziou. No tablado, já não se ouvem as suas calorosas gargalhadas e nem tampouco seus cabelos loiros e cacheados.

De repente, sem mais e nem porque, já não quis mais ser a Isadora Ducan Tupiniquim e agora é a La Pasionara dos Pinheirais. Pelo jeito até que esqueceu a música de Chico Buarque. Já deve ter pulga atrás da orelha, remela e marca de bexiga.

Dizem que os palcos agora são outros. Trocou a sapatilha pela caneta. Os músculos não se contorcem a cada nota da música. O esforço é por projetos, que possam mudar o mundo, em especial, o dos desválidos. Equilibra-se

Porém, no seu íntimo, quando acorda pelas manhãs, o sonho de bailarina ainda brilha. Parece que até arrisca um passé diante do espelho, antes de se arrumar para mais um dia de luta.

Tsedaká


O governo de Israel montou no Haiti um dos maiores hospitais de campo, para atender mais de 5 mil pessoas ao dia. Na delegação israelense, 220 homens e mulheres, entre socorristas, médicos, equipes especializadas em resgates, que ajudam aos haitianos, desde o primeiro dia da tragédia.

Muitos destes homens sequer falam uma palavra em francês, muito menos possuem qualquer vínculo com o povo haitianos. Mas estão cumprindo um ato, que na tradição judaica se chama Tsedaká. Confundida como caridade, a sua tradução mais correta desta palavra em hebraico é "justiça" ou "retidão". Esta palavra traduz o ato que supera a simples generosidade e que busca a melhoria das pessoas.

Este gesto é uma tradição do povo judeu, que é praticado silenciosamente, cada dia da semana, por milhares de judeus espalhados pelo mundo. Tsedaká está impregnada na cultura judaica e na vidas dos israelenses. Em um mundo acostumado a ver Israel, como um vilão, em função dos conflitos árabes-judaicos, poucos sabem que equipes israelenses sempre ajudam nas catástrofe, silenciosas e eficientemente. Lá estavam no terremoto em Gujarat na Índia em 2001 e na Turquia, nos bombardeios do Quênia. Israel tem sido um dos mais generosos doadores de ajuda.

Pena que estes atos são poucos divulgados na mídia, que gosta de mostrar apenas um lado de Israel

19 de janeiro de 2010

Paixão à cega

Esbarraram. Ele sentiu primeiro o perfume, depois o cheiro do corpo. Estavam tão próximos. Arriscou com as pontas dos dedos. A pele era suave. Pediu desculpa e emendou um convite para passear. Iriam lado a lado, para conversar. Engancharam braços, desarmaram as bengalas e foram, tateando o chão ao som do silêncio dos tímidos.

17 de janeiro de 2010

Oba! É a hora da comida!


Um é jornalista. O outro é músico. A paixão é comum: comida. Não se conhecem, mas acredito que seriam bons amigos. São dois prosadores, com características diferentes, mas bons prosadores. Além disto, são pessoas do bem.

Edson Vieira tem o "Blog do Edson". Na maioria das vezes, seu texto é mais saboroso que o prato indicado em algum restaurante e bar da cidade e do mundo. Descreve locais e diálogos, os quais vivenciou, como uma Nina Horta das crônicas gastronômica curitibana. É um brinde a literatura, com muito sabor.

Com texto menos sofisticado (mas do mesmo jeito saboroso) é o Oba Gastronomia. O site é cheio de receitas (que receitas!) e dicas, além de fotos dos pratos feitos por este músico e chef de cousine. Para quem gosta de comer, vale a pena ver como Orlando Baumel traz a melodia da música aos temperos da comida. O resultado é maravilhoso, mas só provando para saber.

16 de janeiro de 2010

Era uma vez...


Este texto poderia começar com "Era uma vez...". Afinal é a história de amor entre o dragão e o cachorro. Há inclusive uma fada madrinha, ou melhor, uma bruxa boa, pois acho as fadas enfadonhas.

Ela é a majestosa e bela dragão. Ele é um gordo cachorro. Quando se conheceram, o cão mancava pelos maus-tratos da antiga dona. Já a dragona (que termo feio para tão bela espécie) tinha profundas cicratizes de uma dura vida. Ambos ainda se lambiam, tentando curar as feridas.

Foi em Valentine´s Day que ficaram juntos. Mas, antes de atropelar a história, vale lembrar que o dragão e o cachorro se encontraram nestas sincronicidades junguianas, que mudam vidas.

Ele foi trabalhar onde ela estava. Foi porque a vida fechou diversas portas, abrindo propositalmente apenas uma. A boa bruxa Welte percebeu (como sempre percebe e entende os truques da vida) que - mesmo diferentes - um era perfeito ao outro.

Esperta, a bruxa chegou ao cão e disse: "Olha tem alguém de olho em você". Meio burro, o cachorro teve que farejar muito para perceber o óbvio. Fez o mesmo com o Dragão, que mergulhou de cabeça no alvo. Só se entenderam em Valentine´s Day, em frente da loja do AU-AU. Outra vez, lá vem Jung.

O encanto da bruxa mantém seu efeito e parece ser permanente. Por enquanto, ainda não dá para dizer que viveram felizes para sempre, pois este é apenas um capítulo de um grande livro a ser escrito.

* Ah! O cão e o dragão adoram o horóscopo chinês!!!

Ao mister Parkinson


Ali ficou seu passo.Balanceou e resmungou: Mister Parkinson está incomodando de novo!

Foi uma maratona entre a sala e o banheiro. Respirou. Era o fôlego do atleta exaurindo, esticando a mão em busca de uma parede que o apoiasse. Depois riu, chegando enfim ao destino. Vitorioso, dentro do banheiro, pode se ouvir a eterna fala: Ah, mister Parkinson... preciso de paciência e bom humor.

Paciência teve, mas bom humor...nem sempre a vida lhe deu. Ainda mais agora, que enfrentava desafios maiores que suas aventuras na juventude. Um dia fugiu da casa dos pais, com uma pequena mochila, cruzou mares, escapou dos bloqueios ingleses e, aos 17 anos, lutou por Eretz Israel. Foram cinco anos, em que um jovem virou homem. No caminho de volta a mochila estava pesada. Era tanto peso nas mãos e no coração, marcados pela avermelhada recordação que guerra deixa em seus sobreviventes. Jamais voltou a rezar com fé na sinagoga.

Ainda assim,fez famílias, fez filhos e teve netos. Todo mudo reconstroi, mesmo sobre escombros.

De repente Mister Parkinson apareceu e se tornou um árabe interno. A doença ora era um amigo, que acompanhava em tardes solitárias; ora um inimigo, que tentava traiçoeiramente derrubá-lo ao primeiro passo. Outra vez enfrentava um adversário. Como no deserto israelense, ficava parado, sentindo o medo de ser vencido, mas, no fundo, prevalecia a esperança que um dia tudo se acalmara.